13/11/2005

Novo endereço, novo sabor

Estocado às 07:09 em
por Paulo [brabo!]

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12/11/2005

Nasci em 1967

Estocado às 05:16 em
por Paulo [brabo!]

O período de cem anos com o ano 2000 como seu ponto central marcará três outras transições importantes e únicas na história da humanidade. Em primeiro lugar, ninguém que morreu antes de 1930 viveu num período durante o qual a população mundial dobrou de tamanho. Da mesma forma, ninguém nascido depois de 2050 provavelmente viverá um período em que a população mundial dobrará de tamanho.

Em contraste, todos que têm hoje 45 anos de idade ou mais já testemunharam mais do que uma duplicação de a humanidade, de três bilhões em 1960 a 6.5 bilhões em 2005. A maior taxa de crescimento populacional já alcançada, cerca de 2.1 por cento ao ano, ocorreu entre 1965 e 1970. A população humana nunca cresceu tão rápido antes do século XX e provavelmente nunca crescerá novamente a essa taxa.

Nossos descendentes irão olhar para o pico do final da década de 1960 como o evento demográfico mais significativo da história da população humana, embora aqueles de nós que a experimentaram não tenham sido capazes de reconhecê-lo naquela ocasião.

Joel E. Cohen, Scientifica American

Leia também:
O último tio da terra

The century with 2000 as its midpoint marks three additional unique, important transitions in human history. First, no person who died before 1930 had lived through a doubling of the human population. Nor is any person born in 2050 or later likely to live through a doubling of the human population. In contrast, everyone 45 years old or older today has seen more than a doubling of human numbers from three billion in 1960 to 6.5 billion in 2005. The peak population growth rate ever reached, about 2.1 percent a year, occurred between 1965 and 1970. Human population never grew with such speed before the 20th century and is never again likely to grow with such speed. Our descendants will look back on the late 1960s peak as the most significant demographic event in the history of the human population even though those of us who lived through it did not recognize it at the time….

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11/11/2005

Aventura tenebrosa

Estocado às 05:32 em
por Paulo [brabo!]

Num caderno (de recuperação?) da quarta série, numa tarde da última semana de setembro de 1977, escrevi o que pode ter sido a minha primeira história de terror (mas nem de longe a última). Eu havia acabado de completar dez anos; já havia assistido Guerra Nas Estrelas mas demoraria outros dez anos antes de ler H. P. Lovecraft.

Fica provado também que sempre gostei de finais dúbios.

Numa noite tempestuosa, quando trovejava e relampejava, numa estrada lamacenta e num lugar realmente tenebroso, um viajante perdido, sem casa e sem rumo, avista um grande castelo. A princípio sente medo, mas pela chuva e pelo vento ele é obrigado a entrar.

O ruído da porta faz passar um arrepio por sua gélida espinha. Ao entrar vê armaduras, móveis e uma escada. Lá em cima, uma porta. Ali, naquele instante, se sentiu observado.

Começa a ouvir gargalhadas tenebrosas. Instintivamente abre a porta. É a sala de armas.

No meio da sala, Uma guilhotina. A lâmina sobe e desce várias vêzes.

– Socorro! Socorro! Socorro! e desce rápidamente a escada.

– Você nunca sairá daqui! Ah! Ah! Ah! Ah!

Ele corre a porta desesperadamente. Trancada. Arranja uma espada. Uma armadura se levanta. Uma espetada em seu pescoço faz sua cabeça cair. Fica tudo escura escuro. A porta abre-se lentamente. A tempestade passou. Sobre a escorregadia estrada, relembrava a estranha aventura.


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10/11/2005

Bellboy perdido

Estocado às 05:42 em
por Paulo [brabo!]




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9/11/2005

Vertente

Estocado às 05:56 em
por Paulo [brabo!]

O pedido havia chegado há três dias, mas a chuva não parava. Gastei a tarde dobrando cuecas e descascando laranjas para fazer doce.

A chegada do velho Ismael tirou-me da cama às oito da noite. Dizia que as coisas haviam piorado, que as pedras vinham de todas as direções e de nenhuma. Que eu devia vir assim mesmo apesar da chuva, que o rio não parava de engrossar e logo engoliria todas as pontes. O velho Ismael estava tão apavorado que tive de deixar que ele dormisse acocorado na poltrona, no meu próprio quarto, que ele se recusava a ficar sozinho. Durante a noite seu pé descalço virou no chão a xícara de chá.

Partimos na manhã seguinte, debaixo de chuva grossa. Adiante da Dobradeira resolvemos tomar a ponte dos Stokel, que Ismael havia usado na noite anterior e que talvez fosse a única que restava. O entulho da corrente raspava como garras o fundo da ponte nova de madeira verde, mas as vigas e colunas pareceram muito firmes. Quando deixamos o Cabeçudas para trás, na subida da tafona, a estrada virou uma rampa vermelha de lama. Demoramos a manhã inteira para vencer a vertente e chegar ao topo da serra.

Era três da tarde quando comemos toucinho e pão preto de banha na varanda do Mano Loé. Quando dissemos que íamos à missão da Alva a Jussara contou que tinha visto uma visagem no seu quarto na noite anterior. O Mano estava lá fora fechando uma brecha no cercado dos cabritos quando um homem muito gordo, quase redondo e com as roupas amarelas de lama seca entrou flutuando silenciosamente pela janela, os olhos muito abertos olhando como que através dela. A Jussara correu para fora e quando os dois entraram de volta o homem tinha desaparecido. Perguntei se a janela estava aberta com a chuva e ela disse que não, mas o homem tinha entrado flutuando pela janela assim mesmo.

O Mano me disse quando íamos embora que a Jussara estava com bucho e não vinha dizendo coisa com coisa.

Atravessamos a porteira da Alva depois das cinco. A chuva tinha parado, mas as nuvens escuras corriam empanturradas no céu com a barriga roçando a copa preta da mata.

Não vimos ninguém na entrada. A escola estava vazia, quase todas as janelas quebradas, o chão e as mesas cobertos de pedras pequenas e cacos de vidro. Fomos bater na casa do zelador, o Norde, que estava recolhido com a família com janelas e venezianas fechadas. Contou-nos que não havia luz e por isso a lâmpada de querosene e que o professor havia fugido naquela manhã e fazia uma semana que não havia aula.

Contou que tinha começado na tarde em que ele e o professor viram, de dentro da escola, um homem de chapéu olhando diretamente para eles na borda da mata. O homem desapareceu logo e as pedras começaram a vir daquela direção. Quando o professor José Renato pegou uma pedra para revidar foi atingido no pescoço por uma pedra que vinha de outra direção. As pedras vinham de todo lugar e às vezes pareciam mudar de rumo. O Norde contou ter sido atingido por uma pedra que havia entrado pela porta aberta e desviado para o canto em que ele estava atendendo o fogão. Caíam o dia inteiro, mas paravam à noite pouco depois que as luzes se apagavam.

Ficou decidido que eu dormiria sozinho na escola e Ismael numa rede na varanda de Norde. Nenhuma pedra caiu naquela noite, e nada ouvi de mais fúnebre que o lamento de um ouriço ou outro quando a chuva parava para recuperar o fôlego.

O dia clareou sem qualquer convicção para uma chuva fina, e enquanto a manhã avançava no serviço de limpeza da escola foi ficando evidente que as pedras não voltariam a cair. Resolveu-se que eu partiria depois do almoço para procurar o professor José Renato na casa dos seus pais em Orleans, e tentar convencê-lo a voltar. Norde dizia que ele não vinha.

Deixei Ismael, Norde, Rosa e as crianças na Alva, desviei o sítio do Mano e desci a serra capotando enxurrada abaixo. Parei na tafona abandonada para comer a tapioca que Rosa havia embrulhado. Lá embaixo a água amarela do rio cobria ponte, mas consegui atravessar e cheguei em casa perto das seis horas.

A chuva caía como uma parede. Não ventava porque a água era tanta que não sobrava espaço para o vento. Tomei banho e quando terminei de fazer o doce de casca de laranja eram duas da manhã.

Era o intervalo entre uma chuva e outra e ouvi um barulho no telhado; achei que fosse o gambá que vinha sumindo com as galinhas. Larguei as compotas de lado e assim que abri a porta vi o homem flutuando na direção dos pinheiros junto da porteira, redondo como uma uva e achei que voava de costas, olhando na direção da casa.

Quando voltei com a lanterna e com o velho revólver o homem havia subido mais e estava desaparecendo por trás das copas das árvores da curva da Dobradeira. Relampejava de vez em quando e vi com clareza que ele olhava fixamente para mim antes de desaparecer.

Assim que cruzei a porteira o céu desabou novamente. Contornei a Dobradeira na direção do pasto dos Stokel; segui olhando para a cima, para ver se entrevia o homem nas nuvens ou na copa das árvores. Achei que devia alertar o Alberto Gordo ou pelo menos sondar se ele tinha visto alguma coisa, mas fui seguindo na direção do rio.

Foi eu colocar o pé na ponte e a chuva parou de imediato, sem qualquer aviso ou transição, como se as represas do céu tivessem se esgotado por completo naquele instante. Dei um ou dois passos sobre a ponte e só se ouvia as minhas botas na madeira e as árvores pingando alternadamente.

Aquilo me gelou o estômago, porque eu devia estar ouvindo o barulho do rio e o silêncio era completo. Não havia ruído nenhum de água corrente. Desviei o facho da lanterna para onde deveria estar a corrente do rio, e tudo que a lanterna mostrou foi um leito uniforme de lama vermelha. Nada.

Apertei as mãos no parapeito, varrendo a lanterna em todas as direções. O silêncio me matou mais do que a dúvida. O coração corcoveava e minha boca encheu-se de ácido. Desejei que a chuva voltasse logo para mandar embora o silêncio e a sensação de estar sendo observado, e pensei que se desse um tiro ou outro para o alto talvez me sentisse melhor.

Foi então que ouvi o barulho na mata, o crescendo de pequenos estalos surdos avançando na minha direção, e dei graças porque achei que fosse chuva. A primeira pedra, estranhamente, caiu bem na palma da minha mão e lembro de tê-la fitado por um instante ou dois na luz da lanterna antes de entender. Então vieram as outras.

Caí de costas, e lembro de ter visto as estrelas entre as nuvens que se abriam.

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8/11/2005

A sabedoria de João Grilo

Estocado às 05:41 em
por Paulo [brabo!]

O menino gente boa e desaforado da primeira parte de As Proezas de João Grilo acaba virando um cabra desaforado e gente boa.

Na segunda parte do folheto (escrita em setilhas, os versos de sete linhas que são minha forma favorita de poesia de cordel) Grilo é convidado por um sultão a passar por uma prova de inteligência, uma exigente bateria de perguntas e enigmas. João Grilo aceita, viaja ao reino do sultão e responde as perguntas do monarca sem dificuldade e com muito bom humor. Ao final da prova ele é nomeado, como José do Egito, conselheiro do rei.

E todas as questões do reino
era João que deslindava
qualquer pergunta difícil
ele sempre decifrava
julgamentos delicados
problemas muito enrascados
era João que desmanchava.

Segue meu caso favorito, seu senso de justiça quase shakesperiano:

Certa vez chegou na corte
um mendigo esfarrapado
com uma mochila nas costas
dois guardas de cada lado
seu rosto cheio de mágoa
os olhos vertendo água
fazia pena o coitado. continue lendo>

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7/11/2005

Farah

Estocado às 10:55 em
por Paulo [brabo!]

Falei hoje com o Farah ao telefone pela primeira vez. Figura.

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