11/11/2005

Aventura tenebrosa

Estocado às 05:32 em
por Paulo [brabo!]

Num caderno (de recuperação?) da quarta série, numa tarde da última semana de setembro de 1977, escrevi o que pode ter sido a minha primeira história de terror (mas nem de longe a última). Eu havia acabado de completar dez anos; já havia assistido Guerra Nas Estrelas mas demoraria outros dez anos antes de ler H. P. Lovecraft.

Fica provado também que sempre gostei de finais dúbios.

Numa noite tempestuosa, quando trovejava e relampejava, numa estrada lamacenta e num lugar realmente tenebroso, um viajante perdido, sem casa e sem rumo, avista um grande castelo. A princípio sente medo, mas pela chuva e pelo vento ele é obrigado a entrar.

O ruído da porta faz passar um arrepio por sua gélida espinha. Ao entrar vê armaduras, móveis e uma escada. Lá em cima, uma porta. Ali, naquele instante, se sentiu observado.

Começa a ouvir gargalhadas tenebrosas. Instintivamente abre a porta. É a sala de armas.

No meio da sala, Uma guilhotina. A lâmina sobe e desce várias vêzes.

– Socorro! Socorro! Socorro! e desce rápidamente a escada.

– Você nunca sairá daqui! Ah! Ah! Ah! Ah!

Ele corre a porta desesperadamente. Trancada. Arranja uma espada. Uma armadura se levanta. Uma espetada em seu pescoço faz sua cabeça cair. Fica tudo escura escuro. A porta abre-se lentamente. A tempestade passou. Sobre a escorregadia estrada, relembrava a estranha aventura.


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3/9/2005

MEUS PRIMEIROS E ÚLTIMOS SONETOS: Picapau Amarelo

Estocado às 06:17 em
por Paulo [brabo!]


«Picapau Amarelo»

Dele recordo: Dona benta;
Uma velha, meio criança
Quando ela senta,
A cadeira quase «dança».

Visconde e Emilia; um sabugo
que só pensa no estudo,
Uma boneca
De todas a mais sapeca

Pedrinho e Narizinho,
Que só não comem três coisas;
Sabão, pedra e vinho

Tia Nastácia: Tem mais medo,
É a melhor doceira,
E a que acorda mais cedo.

Leia também:
MEUS PRIMEIROS E ÚLTIMOS SONETOS: Ó Patria Amada

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21/8/2005

MEUS PRIMEIROS E ÚLTIMOS SONETOS: Ó Patria Amada

Estocado às 06:38 em
por Paulo [brabo!]

Achei há algum tempo, soterrado numa caixa, um antiqüissimo caderno de “charadas, poesias, histórias e piadas” com meu nome – sem data, mas de quando eu deveria ter cerca de dez anos de idade. Neste caderninho estão, descobri, alguns dos primeiros e talvez os últimos sonetos que escrevi. Separei uma ou duas dessas lamentáveis memoráveis experiências para deixar aqui na Bacia. continue lendo>

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10/3/2005

O Matutino da Casa, Nr. 2 Ano 1

Estocado às 06:50 em
por Paulo [brabo!]

A Bacia não é nem de longe o primeiro empreendimento jornalístico em que o Brabo está envolvido. Quando morávamos ainda na casa da rua Florianópolis em Londrina (ou seja, o ano tem de ser antes de 1978) eu e minhas irmãs, sob a liderança inquieta da Alice (que mais tarde estudaria Jornalismo na Federal do Paraná) lançamos uma série de periódicos de consumo interno e vida curta.

O único desses dos quais sobreviveram alguns números foi o seminal Matutino da Casa. Agora você pode ler na íntegra, com exclusividade na Bacia das Almas, o único exemplar sobrevivente (acredite, fazíamos mais de um) do número 2 (o número 1, talvez misericordiosamente, se perdeu).

De maior interesse são, talvez, os impagáveis classificados da página 6 (na página 7 há um desenho meu). Há um totalmente incompreensível artigo de minha autoria, sobre política doméstica, na página 4, e as amenas notícias sociais (“a mãe esta semana estava boazinha”) estão na página 3.

Os exemplares do Matutino da Casa era manuscritos artesanalmente nas folhas de papel que estivessem mais à mão. A ilustração do planeta Terra é minha. A letra das páginas 5 e 6 é da Isa; do restante das páginas, da Alice. Minha letra, com todo acerto, não era considerada madura o suficiente. continue lendo>

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2/11/2004

1926, Appoio moral

Estocado às 06:38 em
por Paulo [brabo!]

“Assim como foi pela fraqueza da mulher que Satanaz logrou arruinar a raça, assim outra vez, no fim dos seculos, o mesmo inimigo está fazendo seu esforço derradeiro – pelas mulheres.”

O grande paradoxo do cristianismo é que os mesmos que professam-se seguidores daquele que disse “não julgueis para que não sejais julgados” (Mateus 7:1) mostram-se (na maioria histórica das vezes) os primeiros a emitir os julgamentos mais mesquinhos, preconceituosos, precipitados e injustos – e não acham dificuldade em encontrar outros crentes que se apressem em concordar com esses seus julgamentos.

“Esta ultima manifestação do desequilibrio feminino – de cortar os cabellos – é das peiores e das mais significantes.”

O grande paradoxo do cristianismo é que historicamente a ninguém mais do que os cristãos aplicam-se as críticas e advertências ferozes que Jesus promulgou contra os fariseus, que davam “o dízimo da hortelã, do endro e do cominho”, mas negligenciavam “o mais importante da lei: a justiça, a misericórdia e a fé” (Mateus 23:23) – isto é, preocupavam-se com ninharias ao mesmo tempo em que davam as costas à essência da mensagem: “coavam o mosquito e engoliam o camelo” (Mateus 23:24).

“Não deixa de ser um revolta, uma espécie de Bolchevismo feminino.”

As tentações do cristão não são, aparentemente, as paixões da carne, mas as do espírito: tolerar o erro em si mesmos e condená-lo sem misericórdia nos outros; confundir os sinais da passagem do tempo com sinais dos fins dos tempos; desonrar a memória do seu Mestre recusando-se a aprender de fato com ele; manchar a obra do seu Salvador usurpando o papel que ele mesmo permanece adiando assumir, o de Condenador e Juiz.

Leia o texto completo da carta de 1926 da qual extraí as passagens em destaque acima.

Curioso é que um cristão evangelicamente correto dos dias de hoje fatalmente julgará os argumentos e as conclusões do autor da carta muito rasos, obtusos e inconsistentes à luz da mensagem mais abrangente da Bíblia; ignoro se seremos capazes de avaliar tão rigorosamente e com tamanha lucidez os nossos próprios julgamentos – hoje.

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17/9/2004

Manual da Futura Dona de Casa

Estocado às 06:06 em
por Paulo [brabo!]

Você sabe…

... que a cozinha tem seus encantos?
... que mamãe se sentirá bem feliz em ter uma filha prestimosa?
... fritar um ovo?
... que os seus cabelos são lindos, mas na sua cabeça?
... que a personalidade da mulher se fortaleceu e ela ingressou em outros campos sem deixar muitas vezes o setor doméstico?
... a diferença entre guarnecer e polvilhar?
... que pode preparar-se para o futuro, para quando for uma dona de casa de verdade?

Não??? Você precisa então do MANUAL DA FUTURA DONA DE CASA, elaborado pelo Centro Nestlé de Economia Doméstica. Agora disponível ONLINE na sua Bacia das Almas, onde as massas cinzentas não descansam antes de ir para o forno.

Então continue lendo>

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23/8/2004

1936, Plínio Salgado: Carta aos inconscientes

Estocado às 06:08 em
por Paulo [brabo!]

Plínio Salgado era, por tudo que se sabe, um sujeito bem-intencionado. O escritor e sociólogo participou ativamente da Semana de 22, publicou um romance que ergueu-o por diversos anos ao posto de figura mais proeminente do Modernismo brasileiro, foi Deputado Estadual e membro da Academia Brasileira de Letras; católico zeloso, escreveu uma reverente Vida de Jesus – que, pelo tamanho do volume que vi na casa do meu tio João, tem de ser mais extensa do que o próprio Novo Testamento. Mesmo anos depois que o movimento político que deflagrou virou estigma e perdeu todo destaque que teve no cenário nacional, nada no seu currículo deixa entrever que Plínio Salgado tenha agido de má-fé.

“A direita é a união sagrada em torno da Bandeira da Pátria, das tradições nacionaes, é a virtude, é a castidade, é o heroísmo, é a religiosidade, é a delicadeza de sentimentos, é o pudor individual e collectivo, é o sacrifício, é a honra de uma nação.”

Em 1932, dois anos depois de uma viagem à Europa na qual conheceu o fascismo italiano e encontrou-se com Mussolini, Salgado fundou a Ação Integralista Brasileira – uma contrapartida tupiniquim dos movimentos fascistas europeus. Embora sustentasse algumas idéias poderosas e originais e apresentasse o Integralismo como “a última expressão do espírito bandeirante”, é tentador enxergar o movimento integralista como uma aventura cabocla calcada na máquina ideológica de Hitler – completa com suas próprias versões da suástica, da saudação nazista, dos ambiciosos desfiles, do antisemitismo (veja a menção aos “livrecos enviados pela França judaizada”, na página 3 da Carta abaixo) e da Juventude Hitlerista.

Os integralistas defendiam, como os nazistas, um discurso político muito peculiar: entre outras coisas, eles eram radicalmente contra os comunistas-marxistas, contra a democracia liberal e contra o capitalismo.

Encontrei esta Carta aos inconscientes entre os documentos do meu tio-avô Reynaldo Purim. continue lendo>

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