19/6/2005

A Terceira Onda

Estocado às 06:14 em
por Paulo [brabo!]

A doutrina do milenismo tem, curiosamente, mais de mil anos. Ela persiste, na verdade, há quase dois – e suas origens se estendem a mesmo antes disso. A idéia do arrebatamento pré-tribulacionista, que prescreve que os crentes serão tomados ao paraíso e os incrédulos deixados na terra para um período de extrema adversidade e possível purgação (doutrina que alcançou consagração definitiva via Deixados Para Trás), é apenas uma das suas facetas mais recentes.

Os primeiros milenistas foram judeus cristãos que, frustrados com a natureza espiritual do reino de Cristo e fundamentados na sua interpretação de uma passagem do livro de Apocalipse, passaram a exigir que, antes do desfecho da História, Cristo voltaria à terra para um reino secular de mil anos. Durante esse período, sustentam ainda hoje alguns milenistas, Jesus ocupará literalmente e com o mão de ferro o trono de Davi em Jerusalém, e todas as nações prestarão a Israel a homenagem e os tributos prometidos em passagens como Isaías 60.

14 Também virão a ti, inclinando-se, os filhos dos que te oprimiram; e prostrar-se-ão junto às plantas dos teus pés todos os que te desprezaram; e chamar-te-ão a cidade do Senhor, a Sião do Santo de Israel.

15 Ao invés de seres abandonada e odiada como eras, de sorte que ninguém por ti passava, far-te-ei uma excelência perpétua, uma alegria de geração em geração.

16 E mamarás o leite das nações, e te alimentarás ao peito dos reis; assim saberás que eu sou o Senhor, o teu Salvador, e o teu Redentor, o Poderoso de Jacó.

Ou seja, o Reich milenar de Cristo deveria representar tudo que os judeus esperavam que o Messias trouxesse na sua primeira vinda: redenção econômica, independência nacional e uma glorificada reputação mundial para Israel. Como Jesus não produziu nenhuma dessas coisas com sua primeira visita, esperava-se que ele se redimisse na segunda. continue lendo>

Este é o velho sáite da Bacia das Almas, que não será mais atualizado. Para ler os novos artigos e acessar os comentários visite o novo endereço: www.baciadasalmas.com


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1/6/2005

O purgatório é aqui

Estocado às 06:19 em
por Paulo [brabo!]
Os teólogos já queimaram muitos neurônios tentando imaginar o que Deus fazia antes de criar o universo. Mais pessoal seria perguntar o que você fazia antes que sua mãe desse à luz a você.

Aos cristãos, que são tecnicamente proibidos de acreditar na reencarnação (“é dado aos homens morrer uma única vez”, diz o Novo Testamento), restou sempre brincar com as possibilidades da pré-encarnação – a exata natureza da alma antes da existência.

Os teólogos já queimaram muitos neurônios tentando imaginar o que Deus fazia antes de criar o universo. Mais pessoal seria perguntar o que você fazia antes que sua mãe desse à luz a você – mas igualmente problemático responder sem recair numa heresia ou duas.

Há basicamente duas teorias: a primeira sustenta que todas as almas humanas foram criadas num passado remoto por Deus, que retira itens desse banco de almas (sou tentado a dizer “bacia”) para implantar em cada ser humano que nasce. A segunda defende que as almas são criadas segundo a demanda, em regime just-in-time, no exato momento em que o espermatozóide vencedor adentra em triunfo os átrios do óvulo, fecundando-o – ou talvez algumas semanas depois.

Segundo a lógica exigente das teologias, ambas as teorias são problemáticas. Se as almas não existem desde sempre, argumentam alguns, como Deus pode ter predestinado alguns? Como pode Jesus ter morrido por uma alma que tecnicamente não existia?

Para contornar essas heresias inventaram-se desde cedo heresias novas. Um dos primeiros bastiões da idéia da preexistência das almas foi Orígenes(185-254 d.C.), de resto um sujeito muito sensato.

Orígenes não se limitou a propor que as almas foram criadas numa única fornada antes que a primeira delas encarnasse em Adão. Ele também sustentava que as almas preexistentes possuíam consciência e livre-arbítrio – e que, nesse imponderável período antes da história, todas acabaram de alguma forma caindo e rebelando-se contra Deus. As almas que pegaram leve viraram anjos; as que pecaram de modo moderadamente grave encarnaram em corpos humanos, e as almas realmente perversas e toscas viraram demônios.

Segundo essa interessante teoria, nossas desventuras terrenas são reflexo de um karma que trazemos de uma preexistência desencarnada anterior. Se sofremos aqui é porque pisamos seriamente na bola do lado de lá. Ali se faz, aqui se paga.

Este é o velho sáite da Bacia das Almas, que não será mais atualizado. Para ler os novos artigos e acessar os comentários visite o novo endereço: www.baciadasalmas.com


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