Marçal para Aloísio
Caríssimo Aloísio,
Preciso sim vê-lo, meu amigo, e preferencialmente hoje mesmo. Se encontrou minha casa fechada, como penso que deve ter feito, é porque estou desde que cheguei aninhado no Quarto Verde da mansão dos Caldas – sob medicações leves e atenções médicas que garantem-me eu não dispensaria a mim mesmo lá em casa, e estão certos. A enfermeira portuguesa fatalmente lhe produzirá palpitações.
Tenho tanto a contar, amigo velho. Mais do que podes imaginar e queres ouvir. Hoje à partir das seis da tarde meu tempo é seu, e espero retribuição. Venha mesmo que seja para ver a Rua da perspectiva do Quarto Verde, com vista para os navios que passam.
Não traga o Canabrava nem ninguém, que o que tenho para contar e pedir é coisa de filosofia.
Seu Marçal
