1/6/1936

Marçal para Aloísio

Estocado às 12:01 em
por Paulo [brabo!]

Caríssimo Aloísio,

Preciso sim vê-lo, meu amigo, e preferencialmente hoje mesmo. Se encontrou minha casa fechada, como penso que deve ter feito, é porque estou desde que cheguei aninhado no Quarto Verde da mansão dos Caldas – sob medicações leves e atenções médicas que garantem-me eu não dispensaria a mim mesmo lá em casa, e estão certos. A enfermeira portuguesa fatalmente lhe produzirá palpitações.

Tenho tanto a contar, amigo velho. Mais do que podes imaginar e queres ouvir. Hoje à partir das seis da tarde meu tempo é seu, e espero retribuição. Venha mesmo que seja para ver a Rua da perspectiva do Quarto Verde, com vista para os navios que passam.

Não traga o Canabrava nem ninguém, que o que tenho para contar e pedir é coisa de filosofia.

Seu Marçal

Este é o velho sáite da Bacia das Almas, que não será mais atualizado. Para ler os novos artigos e acessar os comentários visite o novo endereço: www.baciadasalmas.com


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Aloísio para Marçal

Estocado às 09:41 em
por Paulo [brabo!]

Tratante,

Cometeram na Rua da Rádio a indelicadeza de informar-me que chegaste dos Estados Unidos há mais de duas semanas. A indelicadeza, a tua, foi não vir ainda nos procurar para contar o que o nosso mais atípico Brasileiro viu e fez na Metrópole. Tão lisonjeiro quando presente e esquece tão facilmente os amigos.

O gaiato do Canabrava obriga-me a escrever esta nota num reles guardanapo do nosso fiel Botekim, que há muito não lhe vê a luz. Vai selado com a marca do meu copo e a do dele.

Manda notícias enquanto és vivo.

A.

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