31/5/2004

Antes isso

Estocado às 07:47 em
por Paulo [brabo!]

7 de Setembro de 1937, Curitiba.

O General José Meira de Vasconcellos, recém-chegado à região como comandante da 5a Região Militar e 5a Região de Infantaria, assiste às festividades locais organizadas para celebrar a data máxima da nação.

Vasconcellos está agitado na cadeira. Para começar, o desfile das tropas não é recebido com a empolgação que o General esperava de uma gente brasileira numa ocasião cívica. O povo o recebe “frio, os jornais mornamente, as sociedades e colégios tristonhamente”. Mas é o que vem a seguir que o deixa horrorizado.

“Antes criarmos ignorantes que criarmos traidores”

Vasconcellos descobre que na capital do Paraná quem resta para celebrar a data da independência é a juventude das sociedades estrangeiras: em particular, a então popular Juventude Hitlerista do Parana. continue lendo>

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30/5/2004

Vale feliz

Estocado às 06:22 em
por Paulo [brabo!]

Mais uma pintura digital que achei nos meus arquivos, feita com o bom e velho Painter.

Baseada em lembranças reais de bons tempos passados em Urubici, na Santa e Bela Catarina.

Vale do Canoas

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29/5/2004

O enigma de Páris, parte 2

Estocado às 07:39 em
por Paulo [brabo!]

(continuação da parte 1)

O problema está, evidentemente, na diferença aparentemente irreconciliável de visão de mundo, de mindset, entre homens e mulheres (na nossa discussão, entenda por favor “homem” e “mulher”, como arquétipos universais, símbolos, não necessariamente entidades reais. Antes que alguém me acuse de generalização – bem, tarde demais pra isso – quero lembrar que o poder do mito, e de toda boa ficção, está nisso mesmo: tocar cordas específicas da experiência real através de personagens e situações simbólicas).

Para tentar deslindar o enigma de Páris, deixe-me introduzir na discussão dois termos para definir os “modos” mentais que diferenciam homens de mulheres, respectivamente. Vou chamá-las de o jogo© e a partilha©.

Agora sim, vamos às generalizações.

Primeira generalização:
Os homens só tem tempo para o jogo©.

O jogo© pode ser uma atividade mental, física ou moral. Não interessa: o que define o jogo© é que ele é aquilo que ocupa a mente de um homem. Para homens que viviam numa época menos hipócrita que a nossa, como Aquiles e Menelau, o jogo© era a guerra nua e crua. Para muitos homens contemporâneos, o jogo© é mesmo um esporte; digamos, o futebol – mas pode ser também uma causa, um projeto, uma pesquisa, um sonho, um ideal ou, com impressionante freqüência, a guerra nua e crua.

Os componentes básicos de um jogo© são (1) o desafio, (2) o código e (3) o prêmio. Esses componentes estão presentes em todas as atividades tipicamente “masculinas”, como a guerra, o esporte e a caça, mas também em outras mais improváveis, como a evangelização, a filosofia, a política e a arte. Um soldado, um evangelista, um senador e um filósofo são todos movidos pelo seu compromisso com o seu próprio jogo©. Com freqüência o prêmio final é inatingível, mas para o homem isso não interessa. O objetivo do jogo© é jogar. continue lendo>

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28/5/2004

Margem de caderno: Flash!

Estocado às 12:15 em
por Paulo [brabo!]

Quando comecei a estudar Administração na Federal (do Paraná) em 1987, correu a lenda que eu não prestava atenção nas aulas e ficava desenhando o tempo todo. Nada mais longe da verdade: eu prestava atenção nas aulas e ficava desenhando o tempo todo.

Margem de caderno, como se não fosse evidente, foi feita pra desenhar.

Olha o pasarinho!

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27/5/2004

Máximas

Estocado às 21:53 em
por Paulo [brabo!]

A arte é o princípio da beleza do que é a princípio inteiramente casual e inútil.

Como recurso didático direto, o ato de fazer perguntas orais pode bloquear o exato raciocínio que procura despertar.

A imaginação e o sofrimento são as únicas formas de deter o condicionamento – mais o segundo que o primeiro.

Não deixe de fazer hoje o que você pode deixar de fazer amanhã.

[da contracapa de um caderno de quando eu cursava Administração na UFPR, em 1989. Já um pensador]

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26/5/2004

O Enigma de Páris, parte 1

Estocado às 00:21 em
por Paulo [brabo!]

Sobre a Guerra de Tróia, cabe deixar um esclarecimento.

O enigma da tragédia de Tróia não é entender porque dois exércitos se degladiaram por anos, ao custo de milhares de vidas, por causa de uma mulher – mesmo se tratando, nesse caso, da esposa de um dos reis envolvidos. Fato é que homem não precisa de desculpa alguma para guerrear, e para um macho guerreiro o rapto/fuga da esposa é caso clássico de honra perdida que nada como uma longa série de mortes para recuperar.

O verdadeiro mistério da história é porque Helena se deixou apaixonar por um pirralho, um pulha, como Páris. Essa sim, é a pergunta que não quer calar. As versões da lenda diferem: em algumas, Helena é seduzida e depois raptada pelo filho de Príamo; em outras, ela foge com ele de livre e espontânea vontade. A deusa Afrodite, em cujas graças Páris havia caído depois de escolhê-la como primeiro lugar num concurso de beleza, parece ter dado um empurrãozinho. Mesmo assim, fica a dúvida. O que uma mulher como Helena, que podia ter aos pés da sua cama o homem que quisesse, viu num cara fraco, sem tutano e sem graça como Páris?

A resposta diz muito sobre as mulheres, e traz todo o tipo de más notícias para o modelo clássico de homem. continue lendo>

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24/5/2004

A Bacia

Estocado às 16:05 em
por Paulo [brabo!]

Meu pai, que gosta de se considerar um sujeito pragmático, usa o termo “poeta” como xingamento. “Fulano é um poeta”, ele diz, querendo dizer “fulano é um irresponsável, vive fora da realidade”. A verdade é que, como diria Borges, algumas vezes a gente é obrigado a se relacionar com poetas – ou até mesmo gente pior.

Porque meu pai tem, e muito mal-disfarçada, uma veia poética que sangra regularmente. Ele lê furiosamente, curte palavras charmosas e fora-de-moda e faz questão de escolher expressões evocativas e nostálgicas para referir-se aos objetos mais comuns. Bacia das Almas é o nome que ele deu à bacia de alumínio do seu paiol de ferramentas à qual remete todas porcas, arruelas e parafusos para os quais não vê aplicação imediata. É na Bacia que vão repousar, talvez para sempre, os rejeitados, os tortos, os empenados, os marginais, aqueles que não se encaixam – vivendo eternamente na improvável esperança de se tornarem úteis novamente, ou pela primeira vez.

Como todos nós.

A Bacia das Almas

Meu pai não pode saber, mas é um poeta ele mesmo. O que ele sabe, como ele mesmo diz, não está escrito nos livros.

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