Bicicleta
Uma bicicleta encostada em Antonina, onde ninguém vai pensar em roubar.

Uma bicicleta encostada em Antonina, onde ninguém vai pensar em roubar.

“Dois tipos de pioneiro apontam o caminho: o primeiro declara que é certo algo que previamente havia sido considerado errado – e é publicamente execrado e secretamente adorado; o segundo declara que é errado algo que havia previamente sido considerado certo – e é publicamente adorado e secretamente execrado.”
William Irvine, condensando uma idéia de George Bernard Shaw
Mais um rabisco do proverbial caderno do primeiro ano da Federal.

por Lawrence Lessig
Davis Guggenheim é diretor de cinema. Ele já produziu uma série de filmes, alguns comerciais, outros não. Sua paixão, como a de seu pai antes dele, são os documentários, e seu filme mais recente e talvez seu melhor, The First Year, é sobre professores de escolas públicas em seu primeiro ano letivo.
No processo da produção de um filme um diretor é obrigado a “liberar os direitos”. Um filme baseado num romance protegido por direitos autorais precisa obter a permissão do proprietário dos direitos. Se uma canção toca nos créditos iniciais do filme, é necessária a liberação dos direitos por parte do intérprete da canção. Esses são limites comuns e aceitáveis sobre o processo criativo, tornados necessários por um sistema de lei de copyright.
Mas e as coisas que aparecem no filme de forma incidental? Posters na parede de um dormitório, uma garrafa de Coca-Cola nas mãos de um figurante, um anúncio num caminhão que passa no fundo da cena? Esses elementos também são obras artísticas criativas. Um diretor precisa de permissão para tê-los no seu filme?
“Há dez anos atrás”, explica Guggenheim, “se um trabalho artístico fosse reconhecível por uma pessoa comum”, teria que ter seu copyright liberado. Hoje em dia a coisa é diferente. Agora “se qualquer peça artística é reconhecível por quem quer que seja, você é obrigado a liberar os direitos e pagar. Praticamente toda peça de arte, toda peça de mobília ou escultura tem de ser liberada antes que você possa usá-la”. continue lendo>
Li recentemente este trecho de John Donne e lembrei-me de Um a menos:
Toda a humanidade é de um único autor, e é um único volume; quando um homem morre, um capítulo não é arrancado do livro, mas traduzido para uma linguagem superior. Cada capítulo deve necessariamente ser traduzido dessa forma. Como portanto o sino que anuncia o sermão convoca não apenas o pregador, mas a congregação a comparecer, da mesma forma esse sino nos chama a todos – mas muito mais a mim, trazido para tão perto das suas portas por essa enfermidade. Nenhum homem é uma ilha, suficiente em si mesmo; a morte de cada homem me diminui, porque estou envolvido na humanidade. Portanto nunca mande alguém ver por quem o sino [fúnebre] está tocando: ele está tocando por você.
O recém-lançado livro A Cruz de Hitler, de Erwin Lutzer, propõe-se a esclarecer o mecanismo de mais uma lacuna histórica do cristianismo institucional: onde estavam os cristãos alemães durante o período de ascensão e domínio do nazismo? A resposta curta é que estavam lá mesmo na Alemanha.
Ao contrário do que se possa imaginar, os nazistas não fizeram nada drástico como proibir a religião ou fechar as igrejas (da forma que fizeram, digamos, os comunistas na União Soviética). Pelo contrário, a maior parte dos líderes nazistas (incluindo Hitler) era nominalmente, algumas vezes fervorosamente, cristã. O que eles fizeram foi usar o potencial catalisador, tranquilizador e doutrinador de uma igreja institucional fraca em favor dos seus próprios propósitos.
“O melhor é deixar o cristianismo morrer de morte natural”, confidenciou Hitler a seu comparsa Himmler no início da guerra.
No mínimo fica a lição de que as pessoas podem, em tempos menos esclarecidos do que o nosso, acabar seguindo ardentemente a causa errada com a melhor das boas intenções. continue lendo>
O tempo passa.
http://zonezero.com/magazine/essays/diegotime/timesp.html
Veja também:
http://fotos.fliarubinstein.com.ar
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