31/8/2004

Cabeça humana

Estocado às 06:33 em
por Paulo [brabo!]

Este é o velho sáite da Bacia das Almas, que não será mais atualizado. Para ler os novos artigos e acessar os comentários visite o novo endereço: www.baciadasalmas.com


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30/8/2004

Embora seja noite

Estocado às 06:02 em
por Paulo [brabo!]

São João da Cruz (1542-1591),
o frade espanhol que dizia que somos aquilo que amamos.

Que bien sé yo la fonte que mana y corre,
aunque es de noche.

Aquella eterna fonte está escondida,
que bien sé yo do tiene su manida,
aunque es de noche.

Su origen no lo sé, pues no le tiene,
mas sé que todo origen della viene,
aunque es de noche.

Sé que no puede ser cosa tan bella,
y que cielos y tierra beben della,
aunque es de noche.

Bien sé que suelo en ella no se halla,
y que ninguno puede vadealla,
aunque es de noche.

Su claridad nunca es oscurecida,
y sé que toda luz de ella es venida,
aunque es de noche.

Sé ser tan caudalosos sus corrientes,
que infiernos, cielos riegan y las gentes,
aunque es de noche.

El corriente que nace de esta fuente
bien sé que es tan capaz y omnipotente,
aunque es de noche.

El corriente que de estas dos procede
sé que ninguna de ellas le precede,
aunque es de noche.

Aquesta eterna fonte está escondida
en este vivo pan por darnos vida,
aunque es de noche.

Aquí se está llamando a las criaturas,
y de esta agua se hartan, aunque a escuras,
porque es de noche.

Aquesta viva fuente que deseo,
en este pan de vida yo la veo,
aunque es de noche.

__

Bem eu sei a fonte que mana e corre
Embora seja noite.

Aquela eterna fonte está escondida
mas sei bem d’onde ela é suprida
embora seja noite.

Sua origem desconheço, pois não a tem
mas sei que toda origem dela vem,
embora seja noite.

Sei que não pode haver coisa tão bela
e que céus e terra bebem dela,
embora seja noite.

Sei bem que fundo nela não se acha,
e que ninguém pode atravessá-la,
embora seja noite.

Sua claridade não é nunca escurecida
e sei que sua luz toda já e vinda,
embora seja noite.

Sei ser tão caudalosas suas correntes
que regam céus, infernos e as gentes,
embora seja noite.

A corrente que nasce desta fonte
sei eu que é forte e onipotente,
embora seja noite.

E das duas a corrente que procede
sei que nenhuma delas a precede,
embora seja noite.

E esta eterna fonte está escondida
neste vivo Pão pra dar-nos vida,
embora seja noite.

Aqui ela está chamando as criaturas
e se fartam desta água, ainda que às escuras
porque é de noite.

Esta viva fonte que desejo
neste Pão de vida a vejo,
embora seja noite.

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29/8/2004

Instrumental> Aqueles Dias/Rui

Estocado às 06:42 em
por Paulo [brabo!]

Esbocei alguns temas musicais pra acompanhar meu conto O Último Adelfi. Se Adelfi foi a coisa mais piegas que já escrevi, as músicas que compus para acompanhar são algumas das mais despretensiosas que já fiz.

Até agora gravei uma única trilha, que apresenta juntos dois daqueles temas: Aqueles Dias e Rui. O primeiro procura representar o espaço psicológico que o sujeito abre no peito para preservar a atmosfera nostálgica dos dias que já passaram; o segundo é um retrato musical da imagem que faço de Rui Moreira Lima. Nada que consiga refletir a grandiosidade do tema, vou logo avisando.

“A vida de cada homem gira sempre em torno de um único período de tempo, um período circunscrito no intervalo de poucos meses, que define para sempre quem somos e o que iremos fazer. Tudo que acontece antes ou depois é avaliado e observado a partir da perspectiva dAqueles Dias. De certa forma, nada mais acontece na vida de uma pessoa, a não ser o que acontece nAqueles Dias.”

Download da música (mp3, 12.8 MB):
Aqueles Dias/Rui

Ouvir em transmissão contínua (mp3, streaming):
Aqueles Dias/Rui

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28/8/2004

O centro-burguês e a responsabilidade

Estocado às 06:45 em
por Paulo [brabo!]

Hoje em dia quem estamos acostumados a ouvir descendo a lenha na burguesia são, invariavelmente, os comunistas. Nem todos os comunistas brasileiros são burgueses, mas todo comunista que se preza acaba tendo de falar mal da burguesia. É requerimento da profissão. Na propaganda eleitoral deste ano no meu estado, por exemplo, o slogan de um inócuo candidato de esquerda é “contra burguês, vote 16”.

Pois uma das coisas curiosas de documentos nazi-integralistas como a Carta aos inconscientes de Plínio Salgado é ver alguém que se postava no extremo oposto do espectro político, um sujeito de extrema direita que não podia ver um comunista pela frente, malhando o mesmo Judas que os comunistas. Sim, porque o cidadão “inconsciente” que Salgado quer despertar com a sua Carta é o indiferente burguês, o sempre indiferente burguês: continue lendo>

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27/8/2004

Escândalo

Estocado às 06:39 em
por Paulo [brabo!]

“O escândalo da vida intelectual evangélica”, revela Mark A. Noll logo no comecinho do seu The Scandal of the Evangelical Mind, “é que não existe uma vida intelectual evangélica.”

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26/8/2004

O Último Adelfi

Estocado às 06:59 em
por Paulo [brabo!]

A vida de cada homem gira sempre em torno de um único período de tempo, um período circunscrito no intervalo de poucos meses, que define para sempre quem somos e o que iremos fazer. Tudo que acontece antes ou depois é avaliado e observado a partir da perspectiva dAqueles Dias. De certa forma, nada mais acontece na vida de uma pessoa, a não ser o que acontece nAqueles Dias. O que veio antes é um breve prólogo; o que vem depois é, na pior das hipóteses, uma longa e elaborada nota de rodapé; na melhor, um pungente álbum de fotografias. Para uns poucos, a vida inteira é uma homenagem, uma intensa celebração Àqueles Dias.

Para Rui Moreira Lima esse momento, esse fulcro ao redor do qual a sua vida havia sido mapeada, eram os dias do 1º Grupo de Aviação de Caça, o seu glorioso, assombroso e terrível período como piloto de caça da FAB na Segunda Guerra Mundial. Era esse o buraco negro que sempre o atraía, a cena do crime à qual ele voltava, o palco onde se passava cada cena da sua ópera.

Hoje ele era o respeitável Major Brigadeiro do Ar Rui Moreira Lima, reformado; mas no íntimo, no fundo do coração, ele era ainda o Rui, o afobado e inquieto Rui dAqueles Dias, sempre com uma opinião para dar, o coração na mão, uma lágrima eterna ameaçando rolar sem motivo pelo rosto.

Leia o resto.


_

Sinto-me jovem o bastante para ter ainda de medo de parecer piegas, e O Último Adelfi é sem dúvida alguma a coisa mais piegas que já escrevi. É apenas tremendamente sincero, e é só isso que me leva a tomar coragem e levantar este conto das minhas coisas que creio não vale a pena publicar.

Tudo no conto é verdadeiro, inclusive minha evidente admiração pelo assunto e pelo protagonista – exceto, que eu saiba, o encontro entre Rui e a fictícia Clarice. Se você ainda não viu o documentário Senta A Pua, sobre a participação da FAB na Segunda Guerra Mundial, procure ver.

Troquei alguma correspondência com o Rui alguns anos atrás depois de ler o seu pungente Senta A Pua (o livro). O cara é gente finíssima, ainda mais que o documentário consegue mostrar.

Para continuar lendo, clique aqui.

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25/8/2004

Oculto

Estocado às 14:22 em
por Paulo [brabo!]

“Os manifestantes [do MST] não quiseram dizer o motivo da manifestação.”

Ouvido de algum repórter da Rede Globo neste dia 25 de agosto de 2004 de Nosso Senhor.

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