30/9/2004

A ansiedade das coisas

Estocado às 06:34 em
por Paulo [brabo!]

Em tempos mais sãos do que o nosso um homem começava a sentir nostalgia quando estava avançado na terceira idade, entrevendo já a última curva da vida. Hoje em dia a nostalgia é motivo de ansiedade para todos, democraticamente; até mesmo os adolescentes, garantem-me, tem já saudades sentidas e irresistíveis dos tempos idos da infância.

Não é na verdade coisa de se admirar, porque em tempos de mudança acelerada como o nosso muita coisa pode mudar nos três ou quatro anos informes que separam a adolescência da infância. Nostalgia é o clamor por pontos de referência que não existem mais, e na vertigem do século inúmeras referências perdem-se, transformam-se ou são substituídas em um ano ou dois, às vezes menos.

Um adolescente pode olhar ao redor e constatar lucidamente que os programas de televisão são outros, o tipo aprovado de música é outro; os brinquedos, os filmes, os heróis – que tudo mudou desde a sua infância recente, pela qual passa a sangrar de nostalgia tão sincera quanto precoce. O mesmo é ainda mais válido para quem passou dos vinte ou trinta anos de idade; quem sobrevive vinte anos num mundo de mudança vertiginosa como o nosso é obrigado a encarar que a realidade mudou tanto a ponto de se tornar meramente reconhecível. Os pontos de referência ruíram, o vento levou, o gato comeu, e a mudança torna-se motivo de ansiedade, a velhice chega antes do meio da vida e a nostalgia consome e oprime.

O motivo desta nota é lembrar, com inevitável nostalgia, dos tempos em que não era assim. Houve tempo em que o mundo girava sem se fazer notar e as manchas solares não causavam perturbação maior. As pessoas, conta-se, paravam para conversar e comer. Faziam coisas insensatas como serenatas e bilboquês. Nesta galáxia distante de que estou falando os seres humanos eram tão pouco materialistas que podiam dar-se ao luxo de apegar-se a coisas e, para que não tivessem que se preocupar muito com elas, as coisas eram feitas para durar. continue lendo>

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29/9/2004

Gangsta

Estocado às 06:13 em
por Paulo [brabo!]

Um gângster, inspirado num dos bandidos do filme Some Like It Hot (Quanto Mais Quente Melhor).

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28/9/2004

Bastiana

Estocado às 06:13 em
por Paulo [brabo!]

Conta meu irmão Marco Antonio Lehr que certa vez, num bailão no Mato Grosso do Sul, um sujeito aproximou-se de uma balzaquiana que ninguém ainda tinha tirado para dançar e arriscou:

– Vamo dançá, sinhorita?

Ela despejou:

– Meu nome num é sinhorita, meu nome é Bastiana; e eu num dánso, porque se eu dánso eu cánso, e se eu cánso eu sôo, e se eu sôo eu fédo, e se eu fédo, ninguém me sopórta.

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27/9/2004

Regra da bolsa

Estocado às 06:13 em
por Paulo [brabo!]

Válida para: Homens

A REGRA DA BOLSA

Nunca abra uma bolsa de mulher.

Corolário

Nunca mexa dentro de uma bolsa de mulher.

Adendo:

Nem se ela pedir.

Adendo 2:

Muito menos se ela pedir. Acredite, cara, ela está te testando.

Solução:

Passe a bolsa fechada para ela mesmo tirar da bolsa o que está lá dentro.

Adendo 3:

Não passe a bolsa para outra mulher, que não a dona da bolsa, para ela tirar o que está lá dentro.

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26/9/2004

Bandeja

Estocado às 06:11 em
por Paulo [brabo!]

De todas as fotos que já tirei na vida, de poucas me orgulho mais do que esta, que completa este mês exatos 20 anos. Quem está familiarizado com cenário e com os personagens sabe quantas lembranças há aqui por centímetro quadrado.

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25/9/2004

20.000

Estocado às 07:44 em
por Paulo [brabo!]

Hoje meu tio Carlos, o Bondoso, completa exatos 20.000 dias de vida.

Ensina-nos a contar os nossos dias
de tal maneira que alcancemos corações sábios.
Volta-te para nós, Senhor!
Até quando?
Tem compaixão dos teus servos.
Sacia-nos de manhã com a tua benignidade,
para que nos regozijemos e nos alegremos
todos os nossos dias.
Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste,
e pelos anos em que vimos o mal.
Apareça a tua obra aos teus servos,
e a tua glória sobre seus filhos.
Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus;
e confirma sobre nós a obra das nossas mãos;
sim, confirma a obra das nossas mãos.

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24/9/2004

Véspera

Estocado às 06:21 em
por Paulo [brabo!]

Nosso último dia é nosso primeiro dia; nosso sábado é nosso domingo; nossa véspera é nosso dia santo; nosso pôr-do-sol é nossa manhã; o dia de nossa morte é o primeiro dia de nossa vida eterna. O dia seguinte a esse (...) é aquele em que me mostrarei a mim mesmo. Aqui sempre me vejo envolto em disfarces; lá, então, verei a mim mesmo, mas também verei a Deus (...)
Aqui tenho algumas faculdades aguçadas e outra deixadas nas trevas; minha compreensão às vezes é clareada, ao mesmo tempo em que minha vontade é pervertida. Ali serei apenas luz, sem sombras sobre mim; minha alma envolta na luz da alegria e meu corpo na luz da glória.

John Donne

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