30/11/2004

Quem deu ordem?

Estocado às 06:46 em
por Paulo [brabo!]

Essa não é exatamente gíria, mas me fascina do mesmo jeito. Intriga-me a literária qualidade de indignação que leva alguém a dizer: quem deu ordem [de você fazer isso]?

Quem deu ordem de você mexer na minhas coisas?

Quem deu ordem de você comer a última fatia?

Quem deu ordem de você entrar no meu quarto?

Quem deu ordem de você usar aquele dinheiro?

A frase, naturalmente, é usada para implicar que a pessoa que a empunha tem tamanha (e tão evidente) autoridade que a outra pessoa (que está ouvindo) devia aprender a aguardar humildemente uma ordem direta sua antes de fazer praticamente qualquer coisa.

Embora ninguém tenha dado ordem, acho engraçado do mesmo jeito.

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29/11/2004

Comparação

Estocado às 06:33 em
por Paulo [brabo!]

Para meus familiares e amigos letos, uma linha que li esta semana do assombroso Crime e Castigo, de Dostoiévksi (publicado em 1866, cento e um anos antes deste que vos fala vir à luz):

Sei que minha irmã escolheria antes ser um escravo negro numa plantação [norte-americana] ou um leto para um alemão báltico do que rebaixar-se a esse ponto [de casar por interesse].

A nota de rodapé esclarece:

A situação dos letos debaixo do jugo russo era tão ruim que até mesmo os alemães pobres da região consideravam-nos como escravos – assunto muito discutido na imprensa russa da década de 1860.

Em 1892, onze anos depois da morte de Dostoiévksi, meu avô Janis Purens arriscou trocar a Letônia pelo Brasil.

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28/11/2004

A Espantosa Riqueza do Oriente

Estocado às 06:03 em
por Paulo [brabo!]
“O espétáculo da riqueza do Oriente foi calculado para corrompê-los.”

Há um desenho do meu ilustrador favorito, o imbatível Gustave Doré (1832-1883), que traz o curioso título de O Espanto dos Cruzados diante da Riqueza do Oriente.

A ilustração faz parte de uma série que ele fez para A História das Cruzadas, de Joseph-Francois Michaud. O piedoso texto que acompanha a ilustração diz assim:

O espétáculo da riqueza do Oriente, que eles contemplavam pela primeira vez, foi calculado para corrompê-los. Os cruzados nunca se cansavam de admirar os palácios, os esplêndidos edifícios, as riquezas e talvez as belas mulheres [...].

Numa singela homenagem a Doré, às novas cruzadas e às antigas (que são na verdade uma mesma e uma só), trago à luz essa ilustração e seu título, para vossa oportuna meditação.

O Espanto dos Cruzados diante da Riqueza do Oriente

Leia também:
As variedades da experiência capitalista

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26/11/2004

Pecado nuclear

Estocado às 06:20 em
por Paulo [brabo!]

Em 1944 os Estados Unidos trabalhavam implacavelmente no desenvolvimento final da bomba atômica.

Quando a inteligência aliada divulgou que o Reich não tinha uma bomba atômica, apenas um dos cientistas envolvidos na fabricação da bomba americana renunciou ao projeto.

A motivação declarada do Projeto Manhattan era impedir que Hitler fosse o primeiro a ter uma arma nuclear. Quando a inteligência aliada divulgou, em novembro de 1944, que o Reich não tinha uma bomba atômica nem estava desenvolvendo uma, apenas um dos cientistas envolvidos na fabricação da bomba americana, o polonês Joseph Rotblat, renunciou ao projeto. Ele acreditava que, uma vez provado que os nazistas não recorreriam à bomba, a justificativa americana perdera qualquer peso: a conseqüência moral era que o projeto deveria ser abandonado.

Rotblat foi obrigado pelos americanos a não divulgar aos seus colegas o motivo do seu afastamento – para não influenciá-los a talvez, chegar à mesma conclusão e à mesma decisão que ele.

Três meras semanas antes do lançamento da bomba de Hiroxima, o cientista Leo Szilard escreveu uma petição ao presidente Truman, desaconselhando-o a usar o potencial nuclear e dessa forma abrir um precedente para o seu uso. Ele sabia que, uma vez transposta a barreira ética inicial, ninguém que chegasse a desenvolver a bomba atômica teria escrúpulos em usá-la mais tarde. Ele não queria que essa culpa recaísse sobre a iniciativa americana. Ele argumentava:

O desenvolvimento do puder nuclear dará aos países novos meios de destruição. As bombas atômicas à nossa disposição representam apenas o primeiro passo nessa direção, e quase não há limite para o poder destrutivo que se tornará disponível no curso de seu desenvolvimento futuro. Assim, um país que institui o precedente de usar essas forças da natureza récem-liberadas para fins de destruição, pode ter de assumir a responsabilidade de abrir a porta para uma era de devastação em escala inimaginável.

A petição, naturalmente, não foi ouvida. Em agosto de 1945 as bombas desceram silvando de seus B-29, com um intervalo de três dias entre a que atingiu Hiroxima e a que tocou Nagazaki. Estima-se que as duas bombas juntas tenham matado 110.000 cidadãos japoneses e ferido outros 130.000. Em 1950 mais 230.000 japoneses haviam morrido como conseqüência da radiação.

Numa espécie de sentido bruto, os físicos conheceram o pecado.

No ano seguinte o físico J. Robert Oppenheimer, líder do projeto da bomba americana, confessou numa entrevista à revista Time:

“Numa espécie de sentido bruto, que nenhuma vulgaridade, nenhum humor e nenhuma declaração exagerada podem extinguir direito, os físicos conheceram o pecado; e este é um conhecimento que não podem perder”.

Joseph Rutblat, o homem que abandonou o Projeto Manhattan e não quis ter nada a ver com a bomba americana, ganhou em 1995 o Prêmio Nobel da Paz por sua luta posterior em favor do desarmamento nuclear.

Fonte: Os Cientistas de Hitler, de John Cornwell

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25/11/2004

Ovelha

Estocado às 06:45 em
por Paulo [brabo!]

Um detalhe da pintura: continue lendo>

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24/11/2004

Family recording> 03 Eis a Estrela

Estocado às 06:47 em
por Paulo [brabo!]

“Mas pela meia-noite
vem surgindo
Divina luz bendita
reluzindo
E sobre a manjedoura
pura e bela
Brilhou, mui resplendente…”

Agora sim. Esta é a terceira faixa de Três Noites, CD familiar que gravei no Natal de 2002. Se apareço cantando na primeira, aqui são minhas duas irmãs, Isa e Alice, que cantam juntas duas músicas de uma cantata infantil de Natal que haviam aprendido no Coral Celestial, na Igreja Batista do Cajuru.

As vozes foram captadas no mesmo dia em que Faz Três Noites, em meados de 1971, no gravador do meu tio Carlos, o Bondoso. Camadas instrumentais adicionadas em 2002, com meu Roland JV-90.

Download da música (mp3, 7.4 MB):
03 Eis a Estrela

Ouvir em transmissão contínua (mp3, streaming):
03 Eis a Estrela

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23/11/2004

Fonte Nova

Estocado às 17:56 em
por Paulo [brabo!]

Uma nova fonte de texto está disponível na área de downloads da Companhia de Ilustração das Índias Ocidentais.

Prohibition Text é inspirada pelo estilo de lettering dos cartazes que anunciavam frutas em antigas fotos das cidades americanas da época da Lei Seca [Prohibition]. Como Swalboski Document, que você pode baixar no mesmo endereço, esta fonte também é de 1999.

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