Fado

Levemente maior aqui.
Um detalhe.

Levemente maior aqui.
Um detalhe.
Outro dia fiquei de entregar uma ilustração na “primeira hora” do dia seguinte e fiquei pensando nas implicações da expressão.
Em geral a primeira hora é, felizmente, bastante flexível. Numa agência de propaganda, sei por experiência própria, combinar a coisa para a primeira hora equivale a dizer (a não ser quando especificado de outra forma, o que acontece raramente) “depois das nove da manhã”. Sendo antes das dez creio que é considerado ainda primeira hora.
Outros ambientes podem não ser tão tolerantes, mas creio que para todos apelar para a primeira hora é um jeito de evitar a indelicadeza de lembrar a outra pessoa (e especialmente nós mesmos) que teremos os dois de acordar às seis da manhã no dia seguinte para estarmos às oito onde deveríamos estar. Um eufemismo corporativo, que para os mais desavisados poderia significar “apareça aí depois que você acordar”, mas que está na verdade mais para “amanhã cedo na minha mesa” ou “o que você faz da meia-noite às seis?”
A primeira hora é de certa forma a pior hora de todas e, é claro, especialmente na segunda-feira. A primeira hora da segunda-feira é implacável, e apóio de coração aqueles que propõem que ela deveria ser eliminada de todo.
Especialmente quando você chega no trabalho e tem alguém em pé esperando por você na recepção. Com uma pasta.
Como tanta coisa fica marcada para a primeira hora, creio que todos concordamos que talvez fosse pertinente que a Diretoria lançasse uma campanha interna para que encontros importantes começassem a ser marcados para a última hora. Da sexta-feira, naturalmente.
Você passaria a ouvir (se é que já não ouve) coisas do tipo:
– Não esqueça que o gerente quer conversar com você na última hora.
Só por precaução, não abra hoje nenhum memorando suspeito.
Deixe para a última hora.
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De acordo com o que o cara pediu.

Faz anos que não faço um logotipo e não tenho qualquer vontade de voltar a fazer. Mas quando quem pede é um amigo legendário como Jamil Elias Fadel, o Homem do Fundo do Bar, sou obrigado a reincidir. Fiz estes para um amigo dele que está abrindo um bar e café em Castro City. Como estão aqui nenhum deles foi aprovado, mas tenho pena de simplesmente descartá-los.

Em tempos recentes a dúvida sobre a vida em Marte tem estado sempre ligada à ameaça de contaminação. Em 1996 cientistas da NASA anunciaram que haviam achado fósseis de bacilos marcianos num meteorito (marciano) encontrado na Antártida, mas depois ficou provado que a amostra estava contaminada com germes terrestres. Os especialistas decidiram que a pedra podia também conter fósseis de antiquíssimo bacilos extraterrestres – mas como saber a diferença?
Informa-me o colunista científico Carl Zimmer que os cientistas continuam otimistas quanto à possibilidade de encontrar-se vestígios de vida em Marte. Num encontro recente de especialistas em Marte (já pensou você ser um especialista em Marte? com quem você poderia conversar numa festa?) 75% dos presentes opinaram que Marte já deve ter abrigado alguma forma de vida no passado e 25% arriscaram que deve haver vida lá ainda hoje. Vida microscópica, naturalmente, e não as vastas civilizações subterrâneas governadas por amazonas seminuas que estávamos todos esperando.
Nos últimos anos a meia dúzia de sondas terrestres que chegaram ao solo marciano falharam em encontrar qualquer vestígio conclusivo de vida – e até mesmo de água, cuja descoberta poderia ter alimentado a curiosidade e a esperança dos cientistas. Embora haja na Terra formas de vida que sobrevivem em ambientes menos acolhedores do que a superfície de Marte, pelo que sabemos até agora o Planeta Vermelho é estéril como um estacionamento.
Porém, como nota Carl Zimmer, a possibilidade de contaminação é uma via de duas mãos. As sondas terrestres que chegaram a Marte podem muito bem ter levado consigo diversas estirpes de microscópicos bacilos e germes terrestres, presos em minúsculas fissuras de seus mecanismos. Como o ambiente de Marte é menos hostil, digamos, do que o da Lua, existe sempre a possibilidade de que pelo menos alguma dessas formas de vida terrestres tenha encontrado um nicho confortável em solo marciano e esteja agora mesmo se multiplicando confortavelmente no planeta vizinho – sem ter de enfrentar qualquer competição.
À pergunta “existe vida em Marte?”, por enquanto a melhor resposta talvez seja: agora é bem possivel que haja.

Em junho de 1665 o peculiaríssimo messias judeu Sabbattai Sevi (que mais tarde apostataria para o muçulmanismo) reuniu os seus discípulos em Jerusalém e convidou-os, de caso pensado, a transgredirem solenemente um dos mandamentos da Torá. Naquela tarde eles fizeram o que voltariam a fazer juntos inúmeras vezes: comeram o heleb, a gordura do fígado – uma das 36 transgressões para as quais a Bíblia Hebraica prescreve a eliminação do transgressor (da comunidade ou, segundo algumas interpretações, da existência).
A benção que o messias pronunciou antes da ceia:
– Bendito seja Deus, que permite o proibido.
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Mais um dos infindáveis esboços que fiz para ilustrar a história de Poju.
Maior aqui.
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