31/5/2005

A Bacia das Almas

Estocado às 06:07 em
por Paulo [brabo!]

Há milênios atrás alguém perguntou num comentário a origem da expressão “Bacia das Almas”. Como se sabe, a expressão é uma goiaba que roubei do meu pai por achar evocativa, ambígua e nostálgica – não porque sabia exatamente o significado. Esses dias achei na internet uma explicação tão boa quanto a que não pude dar naquela ocasião.

BACIA DAS ALMAS – do Latim baccinun animae. As almas, sendo imateriais, incorpóreas e incolores, não ocupam lugar. Elas nunca estão, elas são. Já o baccinun era, naqueles tempos em que o latim era obrigatório porque os bárbaros ainda não haviam inventado o inglês, um lugar no qual eram depositados os objetos/as coisas a serem guardados. Havia um baccinum para cada finalidade, obedecendo a formas, tamanhos e, sempre que possível, cores diferentes, a fim de que um baccinun destinado ao coccinare não viesse a ser usado, antes, como urinol. E vice-versa (convenhamos, mais versa que vice).

Ora, dizer “leve esse objeto à bacia das almas”, como é fácil perceber, significava “vá pentear macacos” ou “vá ver se eu estou na esquina”.

A internet costuma ser mais interessante do que acurada, então não acredite assim com todas as letras.

Se você souber uma origem mais fundamentada ou engraçada para a expressão, mande que a Bacia publica. Assim na cara dura.

Este é o velho sáite da Bacia das Almas, que não será mais atualizado. Para ler os novos artigos e acessar os comentários visite o novo endereço: www.baciadasalmas.com


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30/5/2005

Norman Rockwell

Estocado às 06:13 em
por Paulo [brabo!]

Muito antes que Hollywood deslanchasse o seu competente ministério de propagação do Evangelho Americano, o ilustrador Norman Rockwell já pintava uma deliciosamente idealizada imagem dos Estados Unidos – uma imagem tão contundente que ficou impregnada em gente que nunca pisou por lá.

As pinturas de Rockwell, que (não se iluda) já eram nostálgicas quando foram pintadas, celebraram e solidificaram temas que se tornaram ícones do ideal norte-americano – a liberdade de expressão, o jantar de Ação de Graças, a glorificação do trabalhador, a vida familiar, o Papai Noel que mais tarde seria da Coca-Cola e os heróis anônimos, para citar apenas alguns.

Não há, de certa forma, como não curtir Rockwell. O que mais gosto nele é talvez o pseudo-realismo sutilmente estilizado, que fica denunciado em detalhes como as costas impossivelmente largas deste policial.

Mais imagens aqui. Para navegar pela galeria clique nos números no canto esquerdo do pé da página.

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29/5/2005

38 maneiras de vencer uma argumentação (atualizado)

Estocado às 06:33 em
por Paulo [brabo!]

da Arte da Controvérsia de Arthur Schopenhauer

Nº 1. Leve a proposição do seu oponente além dos seus limites naturais; exagere-a.
Quanto mais geral a declaração do seu oponente se torna, mais objeções você pode encontrar contra ela. Quanto mais restritas as suas próprias proposições permanecem, mais fáceis elas são de defender.

Nº 2. Use significados diferentes das palavras do seu oponente para refutar a argumentação dele.
Exemplo: a pessoa A diz: “Você não entende os mistérios da filosofia de Kant”.
A pessoa B replica: “Ah, se é de mistérios que estamos falando, não tenho como participar dessa conversa”.

Nº 3. Ignore a proposição do seu oponente, destinada a referir-se a alguma coisa em particular. Ao invés disso, compreenda-a num sentido muito diverso, e em seguida refute-a. Ataque algo diferente do que foi dito.

Nº 4. Oculte a sua conclusão do seu oponente até o último momento.
Semeie suas premissas aqui e ali durante a conversa. Faça com que o seu oponente concorde com elas em nenhuma ordem definida.
Por essa rota oblíqua você oculta o seu objetivo até que tenha obtido do oponente todas as admissões necessárias para atingir o seu objetivo.

Nº 5. Use as crenças do seu oponente contra ele.
Se o seu oponente recusa-se a aceitar as suas premissas, use as próprias premissas dele em seu favor.
Por exemplo, se o seu oponente é membro de uma organização ou seita religiosa a que você não pertence, você pode empregar as opiniões declaradas desse grupo contra o oponente.

A arte da controvérsia – os meios aos quais os disputantes recorrem para fazer bonito do seu pensamento individual um diante do outro, e demonstrar que ele é de natureza pura e objetiva.

Nº 6. Deixe a questão confusa mudando as palavras do seu oponente ou aquilo que ele está procurando provar.
Chame uma coisa por um nome diferente: diga “boa reputação” ao invés de “honra”, “virtude” ao invés de “virgindade”, “animais de sangue quente” ao invés de “vertebrados”.

Nº 7. Declare a sua proposição e demonstre a verdade dela fazendo ao oponente uma longa lista de perguntas.
Fazendo muitas perguntas abrangentes ao mesmo tempo, você pode ocultar aquilo que está tentando fazer com que o seu oponente admita. Você em seguida avança o argumento a partir de uma admissão do oponente.

Nº 8. Deixe o seu oponente furioso. Uma pessoa enfurecida é menos capaz de usar o seu julgamento ou de perceber onde residem as suas vantagens.

Nº 9. Use as respostas que o seu oponente dá à sua pergunta de modo a alcançar conclusões diferentes ou opostas.

Nº 10. Se o seu oponente responde a todas as suas perguntas negativamente e recusa-se a ceder em qualquer ponto, peça que ele concorde com a versão oposta das suas premissas.
Isso pode confundir o seu oponente quanto ao ponto em particular a respeito do qual você está tentando fazer com que ele ceda.

Pois a natureza humana é tal que, se A e B estão refletindo em conjunto, e comunicando as suas opiniões um ao outro a respeito de qualquer assunto, e A percebe que os pensamentos de B sobre o mesmo assunto não são os mesmos que os seus, ele não começa revisando o seu próprio processo de raciocínio, a fim de descobrir qualquer erro que possa ter cometido, mas pressupõe que o erro tenha ocorrido no raciocínio de B.

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28/5/2005

Contrabaixos

Estocado às 06:17 em
por Paulo [brabo!]

Nas últimas semanas meu amigo britânico Julian esteve ocupado no desenho de produção de uma montagem da ópera A Flauta Mágica de Mozart com a orquestra da Ópera Nacional Escocesa do país de Gales.

Durante os ensaios da orquestra o Julian encontrou tempo para preencher dois cadernos com deliciosos esboços rápidos, que ele digitalizou e me deu o privilégio de estudar em primeira mão. Abaixo uma série que ele fez dos contrabaixistas.

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27/5/2005

Não basta ser Pai

Estocado às 06:14 em
por Paulo [brabo!]

Conta a Karline que o Arthur, que não fez ainda três anos, observou certo dia desta semana à mesa do café:

“Papai do céu mora lá no céu. O Arthur chuta a bola para cima e Papai do céu chuta ela para baixo para o Arthur”.

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26/5/2005

Por isso mesmo

Estocado às 06:32 em
por Paulo [brabo!]

Um pedante que viu Sólon chorando a morte de um filho perguntou-lhe: “Por que você chora desse jeito, se de nada adianta?” O sábio respondeu: “Precisamente por essa razão – porque não adianta”. É sabido que chorar adianta, mesmo que seja apenas para aliviar a tensão, mas o sentido profundo da resposta de Sólon ao questionador impertinente é muito clara. E estou convencido de que resolveríamos muitas coisas se saíssemos pelas ruas e expuséssemos as nossas tristezas, que provariam talvez ser uma única tristeza comum, e juntássemo-nos em chorá-las e dar gritos aos céus e clamar Deus. Isso ainda que Deus não nos ouvisse – mas ele nos ouviria. A maior santidade de um templo é que trata-se de lugar ao qual homens vão para chorar em comum. Um miserere cantado em conjunto por uma multidão atormentada pelo destino tem tanto valor quanto a filosofia. Não basta curar a praga: devemos aprender a chorar por ela. Sim, devemos aprender a chorar! Talvez seja essa a suprema sabedoria. Por quê? Pergunte a Sólon.

Miguel de Unamuno em Do Sentimento Trágico da Vida

A pedant who beheld Solon weeping for the death of a son said to him, “Why do you weep thus, if weeping avails nothing?” And the sage answered him, “Precisely for that reason-because it does not avail.” It is manifest that weeping avails something, even if only the alleviation of distress; but the deep sense of Solon’s reply to the impertinent questioner is plainly seen. And I am convinced that we should solve many things if we all went out into the streets and uncovered our griefs, which perhaps would prove to be but one sole common grief, and joined together in beweeping them and crying aloud to the heavens and calling upon God. And this, even though God should hear us not; but He would hear us. The chiefest sanctity of a temple is that it is a place to which men go to weep in common. A miserere sung in common by a multitude tormented by destiny has as much value as a philosophy. It is not enough to cure the plague: we must learn to weep for it. Yes, we must learn to weep! Perhaps that is the supreme wisdom. Why? Ask Solon.

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25/5/2005

Tráfego: esboço e final

Estocado às 06:33 em
por Paulo [brabo!]

Acabei de fazer este para a Perkons.

É muito difícil manter a dinâmica e a espontaneidade de um esboço na peça final, mas desta vez tive bastante liberdade para brincar – liberdade suficiente, talvez.

Veja aqui uma versão maior da imagem final.

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