30/6/2005

Atração principal

Estocado às 06:04 em
por Paulo [brabo!]

Segunda-feira estávamos almoçando na casa dos meus pais quando um operador ligou tentando televender um colchão magnético. Quando perguntamos à minha mãe, que atendeu, como ela fez para dispensar o cara, ela respondeu:

– Se com um normal o seu pai já não quer sair da cama, imagine se o colchão for magnético…


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29/6/2005

A graça de Diogo Mainardi

Estocado às 06:41 em
por Paulo [brabo!]

Diogo Mainardi já confessou saber-se e sentir-se um romancista frustrado, e há algo de admirável nessa honestidade; não é fácil reconhecer que somos incapazes de ser aquilo que mais anseiávamos nos tornar. Para sobreviver e manter-se honesto consigo mesmo, Mainardi assumiu uma curiosa postura pessoal. Do alto (ou do fundo) de sua experiência em primeira mão com a mediocridade, resolveu usar sua amargura do único modo construtivo que parece conhecer: atacando, da forma mais cáustica e ferina, a mediocridade dos outros.

Se você for como todos, todos o ignorarão; se você for detestável, pelo menos alguns o amarão.

Mainardi pode não ter se tornado o escritor que almejava, mas alcançou a notoriedade ruminando e colocando em prática uma antiga lição da arte da retórica: se você for como todos, todos o ignorarão; se você for detestável, pelo menos alguns o amarão. Tudo o que ele faz e sente que tem de fazer é disparar dardos inflamados contra tudo que é medíocre no mundo, que é o Brasil. Não faltam, naturalmente, alvos: o presidente, a política econômica, o cinema brasileiro, a cidade de Cuiabá; não escapa nem mesmo o alvo especialmente fácil que é o próprio Diogo Mainardi. A mediocridade é na verdade tão universal que Mainardi pode falar sobre qualquer um ou qualquer coisa, desde que lembre-se de falar mal daquilo que está falando. continue lendo>

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28/6/2005

João Batista

Estocado às 06:01 em
por Paulo [brabo!]

Maior aqui, detalhe aqui.

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27/6/2005

Aprendendo a dirigir, parte 1

Estocado às 06:33 em
por Paulo [brabo!]

Eu tinha 18 anos quando entrei pela primeira vez no velho Gol de uma auto-escola em Bauru. Meu instrutor, um sujeito de meia-idade com um rosto ao mesmo tempo cansado, entediado e compassivo, perguntou Você sabe dirigir e respondi Não. Era verdade. O homem ligou o carro num suspiro silencioso que parecia expressar A gente encontra cada tipo.

Descobri apenas mais tarde que eu havia sido mantido vivo artificialmente numa bolha antropológica e automobilística, e que qualquer menino que se preze sabe dirigir e/ou manobrar desde os dez anos de idade (alguns, como o Arthur, desde muito antes).

Tenho em minha defesa que, por alguma razão, desde cedo uma enorme quantidade de desinformação sobre o assunto havia sido despejada sobre mim. Eu deveria ter uns quatro anos de idade quando algum espertalhão me informou (ou, possivelmente, imaginei) que Dirigir era muito difícil porque quando você vira o volante para um lado o carro vira, traiçoeiramente, para o outro. Isso para não mencionar a impensável coordenação necessária para apertar-se os pedais certos na hora certa e na ordem certa, empurrar o câmbio na direção certa, na hora certa e na ordem certa, virar a direção, especialmente esta na direção certa e na hora certa, olhar o tempo todo para a frente e ao mesmo tempo patrulhar oniscientemente os espelhos retrovisores – lembrando ainda de usar mãos, pés e olhos na hora certa, na direção certa e na operação certa (pelo menos naquela época não era preciso falar ao mesmo tempo no celular, e pensando bem talvez seja por isso que até hoje não tenho um). Era necessário um semideus para dominar a coisa toda. continue lendo>

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26/6/2005

O pensador

Estocado às 06:23 em
por Paulo [brabo!]

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25/6/2005

Desventuras em série

Estocado às 06:24 em
por Paulo [brabo!]

Dois pequenos artigos meus acabaram sendo incluídos no mais recente lançamento de Philip Yancey pela editora Mundo Cristão, Desventuras da Vida Cristã. O livro, embora esteja sendo só agora publicado no Brasil, é um dos primeiros de Yancey, escrito em parceria com Tim Stafford quando ambos editavam a Revista Campus na década de 70.

Yancey (que estará no Brasil em julho deste ano), é o celebradíssimo autor da obra essencial do cristianismo contemporâneo, O Jesus Que Eu Nunca Conheci – e felicidades adicionais como Alma Sobrevivente – Sou Cristão Apesar da Igreja.

Com a permissão dos editores norte-americanos e a pedido da MC, adicionei mais algumas desventuras às de Yancey e Stafford. Embora não seja talvez o melhor livro de Yancey (pelo menos não antes da minha intervenção ), Desventuras serve para demonstrar que o escritor se aventurava desde cedo nos terrenos que iriam moldar sua grande e sacrossanta obsessão: contrastar os irretocáveis acertos de Jesus com as tremendas pisadas de bola da igreja institucional. Ou, como ninguém disse de forma mais contundente do que o próprio Filho do Homem: as meretrizes e os criminosos de colarinho branco entram no reino do céu antes dos religiosos que mutilam a graça de Deus de modo a confiná-la em tradições humanas – mesmo se com as melhores das intenções.

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24/6/2005

Problema seu

Estocado às 06:29 em
por Paulo [brabo!]

Conta meu pai que o padre velho disse ao padre novo:

Não pense.
Se pensar, não fale.
Se falar, não escreva.
Se escrever, não assine.
Se assinar, se vire que daí o problema não é meu.

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