31/7/2005

Nós protestantes

Estocado às 06:28 em
por Paulo [brabo!]

Carl Jung

Nós protestantes teremos mais cedo ou mais tarde de enfrentar a seguinte questão: devemos entender a Imitação de Cristo no sentido de que devemos copiar sua vida e, se é que posso usar essa expressão, simular seus estigmas; ou no sentido mais profundo de que devemos viver nossas próprias vidas de forma tão verdadeira quanto ele viveu a sua em todas as suas implicações? Não é coisa fácil viver uma vida modelada na de Cristo, mas é indizivelmente mais difícil viver nossa própria vida de forma tão verdadeira quanto Cristo viveu a dele.

We Protestants must sooner or later face this question: Are we to understand the Imitation Of Christ in the sense that we should copy his life and, if I may use the impression, ape his stigmata; or in the deeper sense that we are to live our own proper lives as truly as he lived his in all its implications? It is no easy matter to live a life that is modelled on Christ’s, but it is unspeakably harder to live one’s own life as truly as Christ lived his.

in Psychotherapists or the Clergy

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30/7/2005

Margem de caderno: Cabeça-de-vento

Estocado às 06:05 em
por Paulo [brabo!]

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29/7/2005

Todas as aventuras do Garoto Guerra nas Estrelas

Estocado às 06:36 em
por Paulo [brabo!]

Há não muito tempo, na galáxia menos distante, um rapaz gordinho de 15 anos do Quebec filmou a si mesmo, com a câmera de 8mm do estúdio da sua escola, fazendo com um bastão manobras que imitam as coreografias do perverso Darth Maul em A Ameaça Fantasma. O rapaz, chamado Ghyslain, esqueceu a regra fundamental das aventuras privadas que você pretende manter secretas: não faça. Se fizer, não filme. Se filmar, apague.

Ele não apagou.

Seis meses depois um amigo de Ghyslain encontrou o filme e achou que seria engraçado codificar o vídeo e colocá-lo na internet. Como resultado o rapaz do filme, hoje conhecido como Star Wars Kid [Garoto Guerra nas Estrelas], tornou-se sem querer uma celebridade. Duas semanas depois do vídeo chegar ao ar já começou a circular uma versão mixada com efeitos visuais, de som e trilha sonora. Hoje calcula-se que o vídeo original já tenha sido baixado pelo menos 20 milhões de vezes – mas no ritmo incalculável do compartilhamento da internet, esse número pode ter sido muito maior.

Muitos apelaram para a zombaria fácil do perfil e da falta de jeito do Star Wars Kid, mas um número ainda maior de internautas admirou sua habilidade e seu estranho destino, e transformou-o numa espécie de ícone do poder dos geeks – um improvável herói da internet. Criou-se uma assinadíssima petição para que George Lucas usa-se o rapaz num dos filmes da série (ele se recusou), e uma coleta rendeu para Ghyslain um IPod e mais 2000 dólares.

E não só isso: o vídeo original foi remixado mais de 100 vezes, ajustando as manobras do Star Wars Kid aos mais diferentes cenários e filmes – e, três anos depois, novas mixagens continuam a sair.

O video original

O vídeo com efeitos especiais

O remix Matrix: Star Wars Kid – Reloaded

Lutando contra si mesmo: Star Wars Kid – Ataque dos clones

Para as mais de cem mixagens adicionais, visite o sáite não-oficial do Star Wars Kid, o único verdadeiro mestre Jedi deste planeta: jedimaster.net.

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28/7/2005

Em defesa da categoria

Estocado às 06:06 em
por Paulo [brabo!]

A Associação de Psiquiatria dos Estados Unidos (APA) está indignada com o ator Tom Cruise, que afirmou numa entrevista recente que nunca acreditou na psicanálise, e que a psiquiatria é na verdade uma “pseudociência”. Steven Sharfstein, presidente da APA, disse num comunicado oficial que “é irresponsável que Cruise aproveite sua publicidade para promover pontos de vista ideológicos e tentar convencer pessoas com problemas mentais a que não busquem a ajuda médica de que precisam”.

Uma coisa é lamentar a condição de Cruise, apóstolo da interessante mas improvável igreja da Cientologia ; outra é avaliar até que ponto alguém pode usar a sua popularidade para avançar pontos de vistas ideológicos; outra ainda, provar que Cruise está errado.

Sharfstein alega que as declarações do ator podem levar pessoas com problemas mentais a não buscarem a “ajuda médica” de que precisam. Dizendo assim, o presidente da APA coloca a psiquiatria (e talvez sua irmã menor, a psicanálise) no mesmo patamar que a medicina convencional – ponto de vista pelo menos tão sujeito a controvérsia quanto as proposições da cientologia de Cruise.

O status de ciência da própria medicina já é, para começar, bastante precário. O médico é ensinado a buscar aplicar conhecimentos científicos e tecnológicos de forma terapêutica e em casos individuais, mas isso não quer dizer que se possa classificar a prática médica como “ciência”. Os próprios médicos concordariam que sua atividade está menos para “ciência” e mais para “arte” ou “ofício”.

A psiquiatria e a psicanálise trabalham em geral a partir de terreno ainda menos firme, já que buscam aplicar de forma terapêutica a teoria da psicologia – que se manifesta em dezenas de formas contraditórias e é, por todos os critérios, mais especulativa do que científica.

A APA está lutando, evidentemente, pela imagem da sua categoria, já que estar associado a uma “ciência” é ainda garantia de alguma respeitabilidade (da mesma forma que estar associado à igreja foi no passado). No que diz respeito a mim, eu não veria nada negativo em ver meu ofício classificado como “pseudociência” – rótulo que caberia a inúmeros ramos do conhecimento que me interessam, como a literatura, a filosofia, a ufologia e a metafísica.

Porém todos confirmam a eficácia daquilo em que acreditam. Pergunte a Cruise.

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27/7/2005

A última tentação

Estocado às 06:33 em
por Paulo [brabo!]

“E assim, pois, se não tiveres notícias deste reino, inventa-as. Atenção, não peço que testemunhes o que considerares falso, que seria pecado, mas que testemunhes falsamente o que consideras verdadeiro – o que constitui ação virtuosa, pois supre a falta de provas sobre algo que com certeza existe ou existiu.”

Das últimas palavras do bispo Oto a seu discípulo, no Baudolino de Umberto Eco

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26/7/2005

The Global Giraffe

Estocado às 06:03 em
por Paulo [brabo!]

Quando postei este desenho sob o título “A Girafa Oculta” no fórum de indeptharts.org, minha amiga Maeve não demorou a comentar:

“Que girafa?”

O Julian, no messenger, fez a mesma pergunta.

Outra pessoa perguntou no fórum se havia um livro para acompanhar a ilustração, e logo Jeff Wong de Nova Iorque, Maeve da Austrália e Maia, da África do Sul, apressaram-se em tirar fotos para provar que sim. Veja como o tempo voa: meu primeiro livro em inglês, publicado em três continentes, e eu ainda nem li.

Clique nas fotos para ver maior.

Jeff

Maeve

Maia

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25/7/2005

Atrás do tempo, perdido

Estocado às 06:42 em
por Daltro Persona

É mentira, brabo, que você entrevistou o Tempo enquanto ele permanecia deitado numa banheira branca. O Tempo não pára, e o único jeito de entrevistá-lo seria correndo ao lado dele, tomando cuidado para manter o passo sincronizado com o Tempo. O problema de correr lado a lado com o tempo é que você acaba perdendo de vista todo o tempo que passou. O problema de se concentrar no tempo que já passou é que você pode deixar de perceber o tanto que o tempo correu na sua frente. O problema de correr antes do tempo é que nada realmente acontece antes do tempo te alcançar.

Esse brabo é mesmo um perdido.


Veja também:
Primeira lei do tempo

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